Foto de Nur Andi Ravsanjani Gusma no Pexels
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Quero muito viajar!
Os meus pais não têm dinheiro.
Têm medo de avião? Não! Têm salários baixos! Usam o dinheiro para me vestir, para me dar de comer, para eu poder ir à escola. Poupam uma vida para eu entrar na universidade, na escola profissional, comprar casa, arranjar trabalho…
Fazem-no por mim…
Mas sabem? Continuo a querer muito viajar!
Vou trabalhar nas férias, ganho algum dinheiro. Não muito, mas o suficiente para viajar uma vez...
Sou chata, não paro de pedir. Mas o que podem mais fazer por mim? Dão o que têm e o que não têm para ajudar os outros. Os jovens da paróquia, os vizinhos que são pobres, o idoso que precisa de carinho, a criança que quer uma prenda! Ganda exemplo de pais, eu tenho!
Mas não desisto, quero conhecer o que ninguém vê. Ou talvez descobrir o que está escondido.
Quero esgotar a minha mente com as sete maravilhas e doar o meu corpo às ruas citadinas ou aos bosques encantados.
Para viajar, preciso de dinheiro? Sim! Está decidido, vou trabalhar nas férias! Indecisa, continuo parada à espera de que tudo me caia de mão beijada…
Decido ir trabalhar, não sei bem quanto vou ganhar, mas vou!
Não consigo viajar logo? Espero!
Custa-me acordar cedo, levanto-me!
Adoro deitar tarde, adormeço cedo!
No caminho para o trabalho, faço as contas, gostava de comprar a mala amarela, o top azul, a minissaia com franjas ou as botas altas à cowboy.
Mas quero viajar! E agora? Tenho de tomar decisões difíceis. Que chatice... Ainda sou Jovem.
Decisões difíceis? Sim! Quer dizer, não! Queres ver como são fáceis…
Decido gastar o dinheiro num iluminador. Estarei radiante ao passar pelas ruas apinhadas de gente. Nuns brincos de um ouro baratucho, mas que reluzem; num creme perfumado para o cabelo que o deixará sedoso.
Vou aos saldos e compro uns chinelos bonitos, uma t-shirt com grafismos que não se veem. Preciso de uma lupa para ver a quantidade de dinheiro que já tenho!
Mas não perco mais tempo e vou viajar…
Para onde? Cidade, campo, montanha, serra, aldeia ou casa?
Portugal ou estrangeiro? Sabe sempre bem roubar a fruta do vizinho. Vou para fora! Portugal é a minha casa! Sou uma acolhedora simpática, um albergue amistoso! Deixo-a livre para os amantes de um bom vinho e de um bom cozido à portuguesa.
Vou viajar. Que emoção! Não tenho dinheiro para pôr o avião a andar? Não há problema! Compro um bilhete de autocarro… Muitas horas de viagem? Perfeito, admiro o que vai lá fora, o que é belo e natural… O que me foge dos olhos e encontro no coração.
No caminho, relembro-me de que, quando era criança, acordava às seis da manhã para viajar de autocarro. Sinto-me um bocadito claustrofóbica, mas nada de especial... Seguro um leque que me dá respiração boca a boca…
Adormeci pelo caminho e sonho que já lá estou. Lá? Mas lá onde?
Onde a vida me levar…
Deixa-te ir para onde a vida te leva!
Uma sesta à sombra de um choupo que grita pode ser a melhor viagem da tua vida!
Perderes-te na catedral de Salamanca, na ponte romana ou no piano flutuante que toca sobre o lago gelado pode ser uma das melhores viagens da tua vida!
E não é que foi mesmo?
Importante… importante? Viajares… Ao sabor do vento que te move!
Carta ao Leitor Preferido

Silvana Soares
Da Raiz ao Coração dos Leitores
Silvana Soares
Da Raiz ao Coração dos Leitores

Silvana Soares
Silvana Andreia Rodrigues Soares nasceu em Coimbra em 1979.
Licenciou-se em Engenharia Química, pela Universidade de Aveiro, em 2004. Possui uma pós-graduação em Gestão da Qualidade, concluída em 2009, na Universidade Fernando Pessoa.
Iniciou a sua experiência profissional, em 2005, na área da Qualidade, na empresa Simoldes-Plásticos, S.A, sediada em Oliveira de Azeméis, onde permaneceu e adquiriu conhecimento durante doze anos.

Silvana Soares
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